Tantas coisas para dizer, filmes que vejo, podcasts que oiço, coisas que leio... Tantas coisas que nunca relacionei e que, de repente, fazem tanto sentido.
Ao mesmo tempo parece que estou a fazer psico-terapia e desbloqueei o meu subconsciente. Estou a lidar com muitas coisas em simultâneo e o facto de ter tido bebé há pouco tempo pode estar a empolar ainda mais esta sensação.
Na noite de Natal o meu skate foi a última prenda a sair da árvore, o embrulho era em papel preto e estava escondido. Quando o vi e percebi oque era o meu coração disparou e senti uma felicidade tão grande que era impossível de disfarçar, todos se aperceberam do quão maravilhada eu estava. E foi, nesse momento, da mais pura alegria, enquanto desembrulhava aquilo que já todos sabíamos ser um skate que ouvi a frase “Isso deve ser alguma coisa mal resolvida da infância”.
Essa frase ainda ecoa na minha cabeça. E sim, inequivocamente, o skate era uma coisa que não tinha bem resolvida na minha vida. Sempre quis ter um skate, sempre quis aprender a andar de skate, fiz snowboard porque era parecido com skate e etc, etc...
Tenho ouvido muitos comentários parecidos, no sentido de que não é normal uma mulher de 36 anos e com 3 filhos começar a andar de skate: “deve ser uma crise de meia idade antecipada”; “para oque te havia de dar”; “isso ainda são as hormonas?”...e por aí.
E no meio disto tudo, é verdade que aquilo que mais vezes penso é na frase “infância mal resolvida”.
O objecto skate que tem origem no surf, no final dos anos 60, início de 70s, foi popularizado mais tarde pela indústria dos brinquedos e daí que qualquer criança nascida nos anos 80, como eu, veja o skate como um brinquedo.
Mas não é a minha infância que está mal resolvida. Eu continuo a viver uma infância muito feliz.
Aqueles que não conseguem lidar com a minha alegria infantil e algumas vezes um bocado naif, esses são os que têm muitas coisas mal resolvidas e recalcadas. Boa sorte!
Enquanto isso, enquanto são amargos e com sarcasmo comentam o meu skate, eu divirto-me, rio-me e continuo a brincar.
Ah! E mais importante, brinco com as minhas filhas, passo tempo com elas. Elas vêem-me cair e levantar, vêem-me tentar e tentar sem desistir, sem vergonha e com um único objectivo que é divertir-me - mesmo que cair não seja divertido.
E faço isto por mim, não é para agradar a mais ninguém, é só para me agradar a mim mesma e sinto-me espectacular!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
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